O movimento Maio Amarelo, dedicado à conscientização para a redução de acidentes de trânsito, ganha ainda mais relevância diante dos dados recentes que mostram a gravidade do problema no Brasil. As mortes só aumentam. Em 2024, último ano com dados atualizados do Observatório Nacional de Segurança Viária, foram 37.150 vítimas fatais. Em 2023, 34.881 pessoas morreram e, em 2022, 34 mil.
No Estado de São Paulo, dados do sistema Infosiga mostram que 1.416 pessoas morreram no trânsito apenas nos três primeiros meses de 2025, um aumento de 4% em relação ao mesmo período de 2024, reforçando a necessidade de ações urgentes de prevenção. Os dados podem ser obtidos no site https://www.infosiga.sp.gov.br/.
Além das mortes, o impacto mais amplo dos acidentes está nas sequelas. Mais de 500 mil brasileiros ficam com sequelas permanentes todos os anos em decorrência de acidentes de trânsito, segundo Observatório Nacional. “São milhares de pessoas que, todos os anos, passam a conviver com limitações físicas, muitas vezes irreversíveis, como lesões medulares, amputações, traumatismos cranianos e incapacidades motoras”, ressalta o médico fisiatra Celso Vilella Matos, presidente da Associação Brasileira de Medicina Física e Reabilitação (ABMFR).
Por dedicarem a sua atuação profissional à reabilitação física destas milhares de vítimas no trânsito, os médicos fisiatras e a ABMFR se mobilizam, todos os anos, em torno do Movimento Maio Amarelo. “A sociedade organizada e, sobretudo, as várias esferas do poder público precisam intensificar campanhas e aprimorar mecanismos e leis para reduzir ao máximo os acidentes”, afirma Dr. Celso.
Grande parte dessas vítimas necessita de acompanhamento prolongado em reabilitação. Embora o Brasil não tenha um número único consolidado de pacientes em reabilitação, dados do sistema público de saúde e da prática clínica indicam que centenas de milhares de pessoas entram anualmente em programas de reabilitação física, com duração que pode variar de meses a toda a vida, dependendo da gravidade das sequelas.
“A cada ano, milhares de brasileiros sobrevivem a acidentes, mas ficam com sequelas graves que impactam não apenas sua vida, mas toda a estrutura familiar e social. A reabilitação é fundamental para devolver autonomia e qualidade de vida a essas pessoas”, afirma o médico fisiatra.
Os acidentados precisam também do suporte familiar, auxílio financeiro, custeio de medicamentos e, sobretudo, tempo para a reabilitação e possível reorganização dos hábitos cotidianos quando sofre sequelas permanentes. Muitos eram provedores de recursos e, ao deixar de ser produtivos economicamente, desestabilizam suas estruturas familiares.
Em meio a esta triste realidade, o presidente da ABMFR destaca uma boa notícia. “Felizmente, tivemos evolução significativa nas terapias de reabilitação e nas tecnologias, como robótica, estimulação neuromuscular e próteses mais modernas, que permitem melhores resultados e maior independência para os pacientes”, afirma.
A reabilitação física da vítima de acidente de trânsito é um trabalho multidisciplinar, que envolve médicos fisiatras, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, psicólogos, fonoaudiólogos, entre outros. “Estes profissionais têm melhores condições de oferecer a melhor qualidade de vida possível aos pacientes e sempre buscando que voltem a ser produtivos e resgatá-los à sociedade”, afirma.
Entre os muitos avanços, o presidente da ABMFR relaciona:
• Exoesqueletos robóticos, que permitem que pacientes com lesões medulares ou outras sequelas neurológicas treinem a marcha durante a reabilitação, facilitam a neuroplasticidade (reaprendizado neuromotor) e reduzem complicações como contraturas e osteoporose;
• estimulação elétrica funcional (FES), técnica que utiliza correntes elétricas para ativar músculos paralisados, auxiliando na recuperação de movimentos em pacientes com lesão medular, AVC ou traumatismo cranioencefálico;
• a realidade virtual aplicada à reabilitação e a gameterapia, que oferecem exercícios interativos e motivadores, melhoram o equilíbrio, coordenação motora e cognição, especialmente em jovens vítimas de acidentes;
• plataformas de equilíbrio e marcha com biofeedback que, munidas de sensores e softwares, ajudam na correção de padrões motores comprometidos e permitem analisar e treinar marcha, equilíbrio e postura em tempo real;
• ultrassom terapêutico e laser de baixa intensidade, utilizados para reduzirem a dor e a inflamação em lesões musculoesqueléticas agudas e crônicas, facilitando a cicatrização de tecidos e a recuperação funcional;
• reabilitação personalizada e uso de inteligência artificial, permitindo que o médico fisiatra realize avaliações funcionais detalhadas para monitoramento e adaptação do plano terapêutico conforme o progresso do paciente;
• próteses e órteses de última geração que ajudam na locomoção com maior conforto e independência e, já em desenvolvimento, com sensores mioelétricos e comando por pensamento.
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