Quanto antes iniciar a reabilitação pós AVC mais chances de se reduzir ou eliminar sequelas paciente terá qualidade de vida

29 de outubro é o Dia Mundial do AVC (acidente vascular cerebral), que tem por objetivo alertar a população sobre os riscos, sintomas, formas de prevenção e a importância de tratar o quanto antes esta doença que é a segunda maior causa de mortes no Brasil. Somente em 2024, mais de 85 mil brasileiros morreram, porém outros 150 mil sobrevivem e a imensa maioria com sequelas, que mudam completamente a vida.

Iniciar a reabilitação física do paciente o quanto antes, muitas vezes, imediatamente depois que é tratada resulta em benefícios gigantescos, que podem significar a diferença entre a pessoa ter qualidade de vida, independência e condições de retomar suas atividades sociais e profissionais. Esta é a mensagem da Associação Brasileira de Medicina Física e Reabilitação (ABMFR), entidade que reúne os médicos fisiatras do país, especialistas na reabilitação física.

No Brasil, a Sociedade Brasileira de AVC estima entre 232 a 344 mil novos casos de AVC por ano, ou seja, a cada ano milhares de novos doentes. Segundo o Ministério da Saúde (MS), no mundo, cerca de 5 milhões de pessoas ficam com sequelas permanentes após AVC. Entre 2021 e 2023, o número de aposentadorias por invalidez decorrentes de AVC dobrou, passando de 1.522 para 3.014, de acordo com o MS. 

A médica fisiatra Lícia Alexandrino de Araújo, diretora da ABMFR ressalta que a reabilitação deve começar o mais cedo possível, desde medidas básicas de mobilização e posicionamento nas primeiras 24 a 72 horas até intervenções específicas, o que envolve fisioterapia intensiva, estimulação elétrica e toxina botulínica, quando indicado.

“A reabilitação definida pelo fisiatra conta com a atuação de equipe multiprofissional e reduz complicações, limita o desenvolvimento da espasticidade mórbida, melhora a recuperação funcional e aumenta as chances de independência da pessoa, permitindo a ela ter o domínio de sua vida”, afirma Dra. Licia.

O médico fisiatra é o especialista que avalia, previne e trata as incapacidades relacionadas ao AVC, além de oferecer prognóstico funcional e coordenar todo o processo de reabilitação desde o ambiente hospitalar até o ambiente domiciliar e social.

O paciente com AVC pode apresentar principalmente alterações neuromusculoesqueléticas como hemiparesia, que é a fraqueza de um lado do corpo, espasticidade, perda de amplitude articular, encurtamentos e dor, principalmente dor neuropática e ombro doloroso.

“O fisiatra identifica precocemente essas alterações e atua no controle do tônus com aplicação de toxina botulínica, prescreve órteses de posicionamento para prevenir deformidades e otimizar a função dos membros acometidos orienta estratégias posturais e analgésicas, prevenindo deformidades e facilitando o trabalho da equipe de reabilitação”, explica a médica fisiatra, diretora da ABMFR.

Além disso, são frequentes alterações cognitivas, de linguagem e de humor, como depressão e ansiedade, que impactam diretamente no engajamento do paciente reabilitação.

O fisiatra reconhece esses quadros e pode prescrever tratamento medicamentoso para condições emocionais, além de articular suporte psicológico e ajustar metas terapêuticas conforme o perfil do paciente.

Em pacientes com casos mais graves de sequelas, complicações clínicas podem estar presentes como bexiga neurogênica, intestino neurogênico, pneumonias de repetição devido a alterações de deglutição e condições cardiovasculares, que muitas vezes podem ser a causa do AVC (arritmias, estenose ou dissecação de artérias cerebrais ou vertebrais, tromboses).

O médico fisiatra monitora esses aspectos, prescreve medidas preventivas e medicamentosas e adapta o plano de reabilitação à condição clínica real do paciente, evitando agravamentos e interrupções no tratamento.

“Em resumo, o fisiatra identifica precocemente problemas em múltiplos sistemas e trata de forma direcionada, integrando recursos clínicos, medicamentosos, ortopédicos e tecnológicos. Essa abordagem abrangente garante uma reabilitação segura, eficiente e centrada no paciente com objeto de reintegração à vida cotidiana”, pontua Dra. Licia.

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