Estudo comprova a menopausa como causa de dores musculoesqueléticas

A queda do estrogênio durante a menopausa não compromete apenas o ciclo menstrual — ela tem impacto direto e mensurável sobre articulações e musculatura. Estudo publicado na revista científica Climacteric, da Sociedade Internacional de Menopausa (IMS) demonstrou esta relação, chamada de Síndrome Musculoesquelética da Menopausa, descrevendo como a redução hormonal está associada ao surgimento de dores articulares, perda de massa muscular, queda da densidade óssea e progressão de quadros como a osteoartrite. O mesmo estudo aponta que mais de 70% das mulheres apresentam sintomas musculoesqueléticos durante a transição menopausal, e que cerca de 25% desenvolvem limitações funcionais que afetam diretamente a qualidade de vida.

Essas dores costumam atingir mãos, joelhos, ombros, tornozelos e coluna, e são frequentemente confundidas com um efeito natural do envelhecimento. Na prática, o estrogênio tem papel central na saúde articular: sua queda favorece processos inflamatórios, reduz a lubrificação do líquido sinovial e altera o colágeno, resultando em rigidez muscular, dor ao despertar e maior dificuldade de recuperação após esforço físico. Esse quadro pode evoluir para condições como artrose, tendinites, bursites e capsulite adesiva ("ombro congelado"), todas com forte componente doloroso e limitação funcional associada.

O médico fisiatra tem papel muito importante no cuidado das mulheres nesta fase da vida, pois é o especialista em investigar, diagnosticar e tratar as dores musculoesqueléticas ligadas à menopausa. Ele diferencia se a dor tem origem articular, muscular, tendínea ou neurológica, avalia o grau de comprometimento funcional e estrutura um plano de tratamento individualizado com foco em reduzir a dor, recuperar a função e preservar a mobilidade a longo prazo.

Entre as condutas terapêuticas que o fisiatra pode prescrever estão:

•    programas personalizados de exercícios e alongamentos, voltados ao fortalecimento muscular e ao alívio da sobrecarga articular;
•    fisioterapia específica, incluindo terapia manual, mobilizações articulares e treino de equilíbrio e propriocepção;
•    modalidades físicas como eletroterapia, ultrassom terapêutico e terapia por ondas de choque, indicadas para controle da dor e ganho de mobilidade;
•    orientação para hábitos de vida que sustentem o tratamento, como atividades de baixo impacto e controle de peso.

O fisiatra também atua de forma integrada com outros especialistas — endocrinologistas, reumatologistas e ginecologistas — quando o quadro hormonal e metabólico exige acompanhamento conjunto. A condução do caso é sempre individualizada, com foco em função, autonomia e qualidade de vida, princípios centrais da Medicina Física e Reabilitação.

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