Nesta quinta-feira, 29 de outubro, Dia Mundial do AVC, dois números revelam o quanto estão desassistidos milhares de brasileiros que têm o acidente vascular cerebral, popularmente conhecido também como derrame. Metade das pessoas que relataram ter tido AVC apresentaram limitações nas atividades do dia a dia. E destas, 73% não faziam reabilitação física, segundo o último estudo brasileiro baseado em dados da Pesquisa Nacional de Saúde de 2019.
“Infelizmente, este cenário não mudou. Somente em 2025, o Sistema Único de Saúde (SUS) registrou 292 mil atendimentos relacionados ao AVC, ou seja, é uma das doenças que mais atinge a população, e milhares de pessoas estão desassistidas, precisariam ser cuidadas e ter o acompanhamento do médico fisiatra”, afirma Dr. Celso Vilella Matos, presidente da Associação Brasileira de Medicina Física e Reabilitação (ABMFR), entidade representativa dos médicos fisiatras no país. “Nossa associação tem atuado para que políticas públicas e investimentos sejam implementados para ampliar o acesso dos brasileiros com AVC à reabilitação”, completa.
Dr. Celso explica que o AVC pode comprometer os movimentos de um lado do corpo, a força muscular, o equilíbrio e a capacidade de caminhar. Também pode provocar dificuldades para falar ou engolir, alterações cognitivas, dor e espasticidade — aumento involuntário da rigidez muscular que dificulta os movimentos. A intensidade e a combinação dessas sequelas variam de pessoa para pessoa.
“Quanto mais rapidamente o AVC for identificado e tratado, maiores são as possibilidades de reduzir os danos cerebrais e suas consequências. Depois da estabilização clínica, começa a reabilitação física, etapa fundamental para devolver ao paciente independência, autoestima e qualidade de vida, afirma o médico fisiatra e presidente da ABMFR.
Como especialista em Medicina Física e Reabilitação, o. médico fisiatra avalia como o AVC afetou a funcionalidade da pessoa, considerando força, mobilidade, equilíbrio, marcha, dor, capacidade para realizar atividades cotidianas e, conforme cada caso, fala, deglutição, cognição e aspectos emocionais.
Com base nessa avaliação, o médico fisiatra ajuda a estabelecer metas individualizadas e a organizar o plano terapêutico, em diálogo com o paciente, seus familiares e os demais profissionais de saúde. O objetivo é recuperar funções sempre que possível, prevenir complicações, reduzir limitações e ampliar a independência e a participação nas atividades familiares, sociais e profissionais.
Segundo Dr. Celso, a reabilitação é planejada de acordo com as necessidades de cada paciente e pode reunir diferentes métodos terapêuticos, que são:
* exercícios para recuperar força, coordenação, equilíbrio e segurança ao caminhar, levantar-se, sentar-se e realizar transferências;
* fisioterapia e terapia ocupacional, ou seja, atividades para melhorar o controle dos movimentos, a mobilidade e a capacidade de realizar tarefas como vestir-se, tomar banho, alimentar-se e usar objetos no cotidiano;
* tratamento da espasticidade, quando indicado, que pode incluir medicamentos, aplicação de toxina botulínica e outras estratégias para reduzir a rigidez muscular e facilitar os movimentos, o posicionamento e os cuidados pessoais;
* avaliação e tratamento de dores musculoesqueléticas e outras condições que dificultam a reabilitação, além de medidas para prevenir contraturas, quedas e problemas decorrentes da imobilidade;
e prescrição, quando necessária, de órteses, bengalas, andadores, cadeiras de rodas e outros recursos para favorecer a mobilidade, a segurança e a autonomia.
O médico fisiatra também avalia mudanças e adequações dos ambientes doméstico e de trabalho do paciente e orienta familiares e cuidadores sobre ações para tornar as atividades diárias mais seguras. A evolução é acompanhada ao longo do tempo, com ajustes no plano conforme as respostas e os objetivos do paciente.
A reabilitação após um AVC é coordenada pelo médico fisiatra e envolve uma equipe multidisciplinar que pode incluir fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, fonoaudiólogo, psicólogo, enfermeiro, nutricionista, assistente social e outros profissionais, conforme as necessidades de cada pessoa.
“O trabalho integrado destes profissionais de saúde busca não apenas tratar as sequelas, mas também ajudar o paciente a retomar atividades significativas, prevenir o sedentarismo e recuperar o máximo possível de independência”, pontua o presidente da ABMFR.
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Oferecer aos médicos fisiatras meios para desenvolverem-se na prestação de atendimento à saúde da pessoa com deficiência e dor crônica, seja por meio de intervenções diagnósticas, terapêuticas ou avaliações periciais e laudos.
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